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Como Recorrer da Multa de Celular ao Volante: Argumentos que Funcionam

A multa por uso de celular ao volante é gravíssima e gera 7 pontos na CNH. Mas isso não significa que ela seja irrecorrível. Dependendo de como a autuação foi feita, há argumentos sólidos para cancelar a penalidade. Este artigo analisa cada cenário.

Autuação sem imagem: o argumento mais forte

Quando a autuação é feita apenas pelo relato do agente de trânsito, sem qualquer imagem que comprove o uso do celular, o recurso tem as melhores chances. O argumento central é a insuficiência probatória.

O auto de infração lavrado por agente descreve o que o agente viu, mas essa descrição precisa ser específica: qual mão segurava o aparelho, o que o condutor estava fazendo com ele, como o agente tinha visibilidade para verificar isso. Se o auto é vago (“condutor utilizando celular ao volante” sem detalhes), há base para questionar se a prova é suficiente para sustentar a penalidade.

Nos recursos, é possível alegar:

Confundido com viva-voz ou suporte

A lei permite o uso de viva-voz e de dispositivos sem fio (Bluetooth, fone sem fio). Se o motorista estava usando esses recursos e foi autuado mesmo assim, o recurso tem fundamento direto no texto do próprio CTB.

Para esse argumento ser eficaz, ajuda ter:

Vícios formais no auto

Independentemente do mérito, o auto de infração pode ter vícios que o invalidam:

Esses vícios formais cancelam a autuação independentemente de o condutor ter de fato usado o celular ou não.

Imagem inconclusiva ou de baixa qualidade

Quando há imagem, o recurso fica mais difícil : mas não impossível. Se a imagem não mostra claramente o uso manual do aparelho, há argumento de insuficiência probatória. Verifique:

Se a imagem não responde afirmativamente a essas questões, há base para argumentar que a prova não é suficiente para aplicação de uma infração gravíssima.

Como montar o recurso

O recurso deve ser apresentado à JARI no prazo de 30 dias da notificação de penalidade. Estrutura recomendada:

  1. Identificação: nome, CPF, número do auto, data da infração;
  2. Dos fatos: narração objetiva do que acontecia no momento da autuação;
  3. Do direito: citar o art. 252-I CTB e as exceções legais (viva-voz, Bluetooth) ou as nulidades formais aplicáveis;
  4. Das provas: listar e anexar prints do Bluetooth, fotos do suporte veicular, histórico de chamadas, fotos do local, testemunhos;
  5. Do pedido: “Requer o provimento do recurso e o cancelamento da penalidade e dos pontos correspondentes.”

Vale a pena recorrer sempre?

Nem toda multa de celular tem base para recurso com boas chances. Antes de decidir:

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Dra. Laurine Brandeburski
Advogada pós-graduada em Direito de Trânsito, atua na defesa de motoristas em todo o Brasil, tanto na esfera administrativa quanto na judicial.
OAB/RS 116.404 · OAB/SP 533.764 · OAB/DF 86.371

Fontes