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Tolerância do radar: como funciona de verdade (7 km/h ou 7%)

“Dra., o radar não tem 10% de tolerância?” Se eu ganhasse um real por cada vez que ouço essa pergunta no escritório, não precisava mais advogar. A resposta curta: não existe tolerância de 10%, e a margem que existe funciona de um jeito que quase ninguém explica direito. Entender isso muda decisões práticas: a quantos km/h você é realmente multado, quando a multa vira grave ou gravíssima, e quando há erro de cálculo que anula a autuação, algo que eu encontro com mais frequência do que se imagina. Neste artigo, a mecânica completa da tolerância do radar, com exemplos numéricos e as defesas que nascem dela.

Neste artigo:

A tolerância real: 7 km/h ou 7% (e de onde ela vem)

A margem do radar não é um favor da fiscalização: é uma exigência metrológica. Todo medidor de velocidade tem um erro máximo admitido, definido na regulamentação do INMETRO, e a lei manda que esse erro seja descontado a favor do condutor. Os valores:

Isso vale para qualquer equipamento hábil do art. 218 do CTB: radar fixo, portátil, lombada eletrônica. E é por isso que a notificação sempre mostra duas velocidades diferentes, a medida e a considerada, o detalhe que gera 90% da confusão.

Velocidade medida x considerada: o cálculo na prática

A conta é simples e sempre nessa ordem:

  1. Velocidade medida: o que o radar registrou no momento da passagem;
  2. Velocidade considerada: medida menos a margem (7 km/h ou 7%);
  3. Enquadramento: a considerada é comparada ao limite da via para definir se há infração e em qual faixa do art. 218 ela cai (até 20% = média; 20% a 50% = grave; acima de 50% = gravíssima com suspensão).

Exemplo real: via de 60 km/h, radar mediu 68. Considerada: 68 − 7 = 61. Infração média (1 km/h de excesso), R$ 130,16. Se tivesse medido 67, a considerada seria 60: nenhuma infração. Em rodovia de 110, radar mediu 125: considerada = 125 − 8,75 = 116,25 → 116. Excesso de 6 km/h, média. Repare como a margem muda o jogo nas velocidades altas: acima de 100, cada km/h medido desconta mais.

Tabela: a partir de quantos km/h você é multado

Aplicando a margem, esta é a velocidade medida a partir da qual existe multa, e onde começa cada faixa:

Limite da via Multa a partir de (medida) Vira grave (considerada) Vira gravíssima (considerada)
40 km/h 48 km/h 49 km/h 61 km/h
60 km/h 68 km/h 73 km/h 91 km/h
80 km/h 88 km/h 97 km/h 121 km/h
110 km/h ~119 km/h 133 km/h 166 km/h

Os valores de cada faixa (R$ 130,16 / R$ 195,23 / R$ 880,41) e as consequências de pontos e suspensão estão detalhados no guia do valor da multa por radar. Atenção ao aviso de sempre: esta tabela é para entender a mecânica, não para calcular “até quanto posso correr”. Andar no limite medido é dirigir sem margem nenhuma para erro, seu ou do equipamento.

O mito dos 10% (e outros que eu escuto toda semana)

Quando o cálculo errado anula a multa

A margem é obrigatória, e é aí que a tolerância vira tese de defesa. O que eu confiro em toda notificação de velocidade:

Perguntas que sempre me fazem

Fui multado a 1 km/h acima do limite. Isso existe? Existe e é válido em princípio: a considerada de 61 numa via de 60 é infração média. Mas é exatamente o caso que merece conferência do cálculo e da aferição, porque qualquer erro de 1 km/h no processo derruba a multa.

Lombada eletrônica tem a mesma tolerância? Sim. Qualquer medidor de velocidade regulamentado segue a mesma margem metrológica do INMETRO.

A notificação mostra só uma velocidade. E agora? A notificação deve permitir conferir medida, considerada e limite. Documento que não permite essa conferência compromete sua defesa e é argumento a favor da nulidade.

Por que 7 km/h e não outro número? É o erro máximo admitido na verificação metrológica dos medidores, definido pelo INMETRO. Acima de 100 km/h o erro cresce proporcionalmente, por isso vira percentual.

Meu velocímetro marcava menos do que o radar mediu. Quem está certo? Provavelmente os dois: velocímetros de fábrica indicam levemente para mais (nunca para menos, por norma), então a leitura do radar costuma ser menor que a do seu painel. Se a diferença for gritante, a discussão é a aferição do equipamento.

Acha que o cálculo da sua multa está errado?

Minha equipe confere gratuitamente a medida, a considerada, o enquadramento e a aferição do radar do seu caso.

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Base legal e fontes

Dra. Laurine Brandeburski
Advogada pós-graduada em Direito de Trânsito, atua na defesa de motoristas em todo o Brasil, tanto na esfera administrativa quanto na judicial.
OAB/RS 116.404 · OAB/SP 533.764 · OAB/DF 86.371

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