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Recusa ao Bafômetro em Porto Velho

Em Porto Velho, a Operação Lei Seca do DETRAN-RO completou 14 anos em março de 2026 com mais de 302.000 abordagens em todo o estado. Só em 2025, foram 337 operações, 54.719 abordagens e 4.397 autuações por embriaguez ao volante em Rondônia. Em uma única blitz em Porto Velho, 32 condutores foram flagrados dirigindo sob influência de álcool. Recusar o bafômetro nessa estrutura não elimina o problema: gera o mesmo AIT de R$ 2.934,70 com 12 meses de suspensão da CNH.

O que diz a lei sobre a recusa ao bafômetro

O Art. 277 do CTB autoriza o agente de trânsito a submeter o condutor a teste de alcoolemia. O Art. 165-A, incluído pela Lei 13.281/2016, cria a infração específica para quem recusa qualquer teste que permita certificar influência de álcool ou substância psicoativa.

Art. 165-A do CTB:
“Recusar-se a ser submetido a teste, exame clínico, perícia ou outro procedimento que permita certificar influência de álcool ou outra substância psicoativa, na forma estabelecida pelo art. 277 deste Código.”
Infração: gravíssima. Penalidade: multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por doze meses.

A recusa gera a mesma multa de quem testou positivo no nível de infração administrativa. O DETRAN-RO aplica esse protocolo em todas as operações da Lei Seca em Rondônia.

Penalidades por recusar o bafômetro em Porto Velho

Penalidade Valor/Prazo Base legal
Multa R$ 2.934,70 Art. 165-A CTB
Pontos na CNH 7 pontos Art. 165-A CTB
Suspensão da CNH 12 meses Art. 165-A CTB
Retenção do veículo Até apresentar condutor habilitado Art. 165-A CTB
Reincidência (12 meses) R$ 5.869,40 (dobro) + cassação da CNH Art. 165-A CTB

Entre 2012 e 2025, a Operação Lei Seca de Rondônia acumulou 50.969 veículos removidos durante as blitzes. A suspensão da CNH segue via PSDD, instaurado de ofício pelo DETRAN-RO após o trânsito em julgado administrativo.

Como funcionam as blitzes da Lei Seca em Porto Velho

A Operação Lei Seca em Porto Velho é coordenada pelo DETRAN-RO por meio da Diretoria Técnica de Fiscalização e Ações de Trânsito (DTFAT), em ação integrada com a Polícia Militar, a Polícia Civil e a PRF nas rodovias federais. Os números acumulados mostram a escala da operação:

As operações em Porto Velho cobrem as principais avenidas da capital: Jorge Teixeira, Lauro Sodré, Carlos Gomes e os acessos às áreas de lazer noturno. A PRF atua na BR-364 (principal rodovia federal do estado), com postos fixos e blitzes volantes nos trechos de maior índice de acidentes.

Recusa ao bafômetro x resultado positivo: qual é pior

Situação Multa Pontos Suspensão Crime?
Recusa (Art. 165-A) R$ 2.934,70 7 12 meses Não
0,05 a 0,33 mg/L (Art. 165) R$ 2.934,70 7 12 meses Não
0,34 mg/L ou mais (Art. 306) R$ 2.934,70 7 12 meses (+penal) Sim (6 meses a 3 anos)

O Art. 277, §3º do CTB autoriza comprovar embriaguez por sinais clínicos, vídeo ou exame de sangue, mesmo sem bafômetro. Com Polícia Civil integrada às operações em Porto Velho, a recusa não elimina o risco de condução à delegacia quando há sinais evidentes de embriaguez ao volante.

Teses para contestar a autuação por recusa em Porto Velho

1. Incompetência do órgão autuador. O DETRAN-RO atua nas rodovias estaduais; a PRF nas federais. Nas vias urbanas de Porto Velho, a competência é do órgão municipal de trânsito. Autuação por órgão sem competência na via é nula.

2. Vício formal no AIT. O Art. 280 CTB exige tipificação correta, local, data, hora e identificação do agente. Qualquer erro pode anular o auto.

3. Etilômetro sem calibração INMETRO válida. Certificado vencido invalida a base técnica da abordagem por recusa.

4. Ausência de fundamento para a abordagem individual. Em blitz regularmente autorizada, qualquer motorista pode ser parado. Em abordagem individual, o agente precisa de razão objetiva.

5. Falta de testemunhas no AIT. Quando o motorista recusa assinar o auto, são necessárias duas testemunhas. Ausência é vício formal.

6. Notificação fora do prazo. O Art. 281 CTB fixa 30 dias para notificação de autuação. Notificação intempestiva extingue a punibilidade administrativa.

Como recorrer de autuação por recusa ao bafômetro em Rondônia

Multas do DETRAN-RO: Defesa Prévia em até 15 dias da Notificação de Autuação pelo portal detran.ro.gov.br ou presencialmente. Recurso à JARI do DETRAN-RO em 30 dias da Notificação de Penalidade. Segunda instância: CETRAN-RO.

Multas do órgão municipal (vias urbanas de Porto Velho): Defesa Prévia e Recurso à JARI pelo canal do órgão municipal. Segunda instância: CETRAN-RO.

Multas da PRF (rodovias federais): Recurso ao CONTRAN após julgamento pela PRF.

PSDD: corre em paralelo ao processo da multa. Ambas as frentes precisam ser trabalhadas simultaneamente para evitar a suspensão da CNH.

Perguntas frequentes

Quantas operações a Lei Seca realizou em Rondônia em 2025?
337 operações, com 54.719 abordagens e 4.397 autuações por embriaguez em todo o estado de Rondônia em 2025.

Qual o histórico acumulado da Operação Lei Seca em RO?
De 2012 a 2026, mais de 302.000 abordagens, 32.148 AITs por embriaguez e 50.969 veículos removidos em todo o estado.

Se eu recusar o bafômetro, serei preso?
Não pela recusa em si. Mas se houver sinais evidentes de embriaguez, a Polícia Civil integrada à operação pode utilizar outros meios de prova e efetuar a prisão.

Posso pagar a multa para não perder a CNH?
Não. O pagamento não cancela os pontos nem impede o PSDD. A única forma de evitar a suspensão é o recurso administrativo ou a ação judicial.

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Base legal e fontes

Dra. Laurine Brandeburski
Advogada pós-graduada em Direito de Trânsito. Atua tanto na esfera administrativa (recursos de multas, JARI, CETRAN, PSDD) quanto na judicial (ações anulatórias, habeas corpus e defesa em crimes de trânsito). OAB/RS 116.404 · OAB/SP 533.764 · OAB/DF 86.371